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Paixão-Coaching, o blog

Posts sobre Coaching e Treino Desportivo


Terça-feira, 13.09.16

Desculpe, está mesmo a falar a sério? “Quatro atletas paralímpicos estão a dar que falar porque qualquer um deles poderia ter conquistado o ouro nos Jogos Olímpicos do Rio.”

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 Estão a circular nos meios de comunicação, que comunicam mal, e também nas redes sociais a notícia de que alguns atletas paralímpicos da categoria T13 poderiam ser campeões olímpicos por terem realizado melhor marca que o atual campeão da corrida dos 1500m.

Quem dá uma notícia destas só pode estar a brincar, a desinformar o público e claramente não percebe o mínimo do assunto. Uma prova de campeonato não se corre para fazer marcas mas sim para conseguir o melhor lugar. Cada atleta realiza a melhor estratégia que se adapta às suas características.

Centrowitz, o Campeão Olímpico é um forte terminador e beneficiou duma corrida lenta de inicio com uma passagem aos 800m em 2,16. É fácil compreender que este tempo é lento se lhe disser que miúdos de todo o mundo (atletas) com 14 anos conseguem passar nesses tempos numa corrida regular. Como é obvio depois dos 800m, Centrowitz e os seus adversários da final olímpica correram muito rápido, 55,4 segundos nos seguintes 400m e 38 segundos nos últimos 300m para o campeão olímpico.

Os atletas da final olímpica têm recordes pessoais entre os 3,26.69 e os 3,35.02. Querer comparar estes atletas com alguém que faça 3,48 é absolutamente ridículo. Tenho o máximo respeito por este e por todos os atletas paralímpicos, mas por favor não queiram comparar o que não é comparável. Este atleta se corresse numa prova regular com os seus congéneres da final olímpica perderia cerca de 100m, um pouco mais ou menos, dependendo do ritmo imposto na fase inicial da corrida. Assim, as pessoas entenderiam a diferença de valores entre os referidos atletas.

Estas notícias, bem como um certo lobbing do desporto paralímpico em querer comparar-se com os atletas olímpicos são no mínimo descabidas e em alguns casos completamente absurdos.

Estas notícias não servem para informar o público, servem para desinformar quem não sabe sobre o assunto e eventualmente chamar a atenção. Demonstram também, mais uma vez a ignorância de quem as escreve, quando escreve sobre assuntos que desconhece.

Quanto aos atletas paralímpicos, mais uma vez refiro, máximo respeito pela sua entrega e dedicação. Contudo, partilho um pouco do que é a opinião de José Carvalho, alto rendimento é para os atletas que podem efetivamente ser de alto rendimento e realizar as melhores performances. Os atletas paralímpicos conseguem bons desempenhos, aliás em alguns casos excelentes desempenhos e por isso têm acesso às provas Olímpicas ou campeonatos do mundo onde estão os melhores. Para se ter uma ideia, esta marca de 3,48.29 do argelino campeão paralímpico não lhe dava sequer acesso aos campeonatos do mundo de juniores.

Sobre as medalhas, sobre apoios, sobre reconhecimento social escuso-me a referi-los neste momento. Fico-me apenas pela questão da performance dos atletas e que fique clara a minha opinião, não se compare o que não é comparável.

 (Foto Getty Images)

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por ppmiguel às 16:49

Sexta-feira, 19.08.16

Vamos ali ao supermercado comprar umas medalhas

Daniela-treino SNevada.jpg

 

Caros amigos este texto vai para vocês que tentam a todo o custo explicar aos vossos amigos que não entendem bem o que é necessário para se conquistar um lugar de destaque num Campeonato do Mundo ou nos Jogos Olímpicos.

Por favor, parem de tentar explicar que é muito difícil conquistar uma medalha. As pessoas não vão entender.

  1. Não vão entender quantos anos são necessários para se preparar para uma grande competição;
  2. Não vão entender que o maior investimento feito é geralmente do atleta, do treinador e dos seus familiares;
  3. Não vão entender que apesar de existir algum apoio por parte das diversas estruturas nacionais o projeto olímpico é especialmente de pequenos grupos – o atleta, o treinador, alguns colaboradores e uma ou outra federação, ou clube, que possam estar melhor organizados;
  4. Não vão entender que para se disputar medalhas é necessário adquirir experiência internacional em diversas competições e nas fases iniciais todos os atletas conseguem classificações modestas;
  5. Não vão entender que possam existir outros competidores com os mesmos objetivos, que por mais bem organizados que possamos estar, os nossos adversários também o fazem e no final a competição se encarrega de colocar cada um no seu lugar;
  6. Não vão entender porque infelizmente muitos dos jornalistas também não compreendem suficientemente o fenómeno do desporto de competição para poder passar a informação adequada ao público em geral;
  7. Não vão entender que alguns jovens apesar do seu talento, precisam de muito mais que 2 a 3 épocas com treino de qualidade.
  8. Não vão entender que se um jovem começar aos 15 anos numa modalidade, precisa de experiências prévias (isto quer dizer que deveria ter começado aos 9, 10 ou 12 anos) e de iniciar a sua especialização. Só aos 19 ou 20 anos ele se dedicará à alta competição – uma fase crítica, onde precisa de tempo para treinar, motivação para continuar quando a maioria dos seus colegas abandona fruto da maior exigência e seletividade. Precisa especialmente de fazer as suas escolhas e estar consciente que se um dia for aos Jogos Olímpicos a maioria das pessoas não o vão entender.

Se porventura ele ou ela continuar a insistir na sua carreira, se for persistente apesar dos poucos apoios e de alguma incompreensão, com o trabalho adequado, organização e disciplina, passados 4 anos poderá estar a conquistar uma medalha, mas lembro-lhe:

Durante esse tempo não tente explicar aos seus amigos quem era esse atleta que ficou no meio da tabela, eles não vão conhecer nem se importam. Contudo, quando se conseguir a medalha como de costume, vai aparecer muita gente, imensa. Muitos vão ao aeroporto, fazem-se festas e homenagens e por aí adiante. Usa-se o atleta como modelo a seguir, mas o mais provável é voltar tudo ao mesmo. Aqueles que agora têm 16 ou 17 anos com os quais se poderia e deveria fazer um trabalho sério e organizado a longo prazo continuarão sem os mesmos apoios, incentivos e a ter que decidir e investir por si mesmos com uma estrutura muito curta.

Por isso, por favor não tente explicar que há quem faça as coisas acontecer, outros vêm as coisas acontecer e alguns perguntam o que aconteceu…, na semana dos Jogos Olímpicos ou em toda uma carreira de um atleta de alta competição.

Não tente explicar, peça apenas respeito aos que honram a camisola do seu país!

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por ppmiguel às 14:16

Quinta-feira, 14.07.16

A boa sorte

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Andrew Matthews no seu livro siga o seu coração conta-nos esta história a propósito do que pensamos ser boa ou má sorte.

 

Em tempos viveu um agricultor que tinha um filho e um cavalo. Certo dia, o cavalo do agricultor fugiu e todos os vizinhos vieram consola-lo dizendo,

   - Que má sorte o teu cavalo ter fugido!

E o homem respondeu,

   - Quem sabe se a sorte foi boa ou má.

   - Claro que foi má sorte – responderam os vizinhos.

Passado uma semana, o cavalo do agricultor regressou a casa, seguido por vinte cavalos selvagens. Os vizinhos do agricultor vieram comemorar, dizendo,

   - Que boa sorte teres o cavalo de volta e ainda por cima mais vinte!

E o homem respondeu,

   - Quem sabe se a sorte foi boa ou má.

No dia seguinte o filho do agricultor estava a andar de cavalo no meio dos cavalos selvagens e caiu partindo a perna. Os vizinhos vieram consola-lo dizendo,

   - Que má sorte.

E o agricultor respondeu,

   - Quem sabe se a sorte foi boa ou má.

Alguns dos vizinhos ficaram zangados e disseram.

   - Claro que foi má sorte, seu velho tonto!

Na semana seguinte, passou pela cidade um exército recrutando todos os jovens em boas condições físicas para lutar em terras distantes. O filho do agricultor, tendo a perna partida, foi deixado para trás. Todos os vizinhos vieram comemorar dizendo,

   - Que boa sorte o teu filho ter ficado para trás!

   - Quem sabe!? (disse o agricultor)

 

A boa ou má sorte, somos nós que catalogamos. Somos nós que decidimos o valor de cada acontecimento, a oportunidade, o positivo ou negativo.

Estamos onde devemos estar, nós decidimos o que fazer com isso!

 

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por ppmiguel às 10:26

Quarta-feira, 01.06.16

Carta aberta aos treinadores

Observa-treino2.jpg

 

Caro treinador se trabalha com atletas de rendimento ou alto rendimento, escrevo estas linhas para si. Quero dizer-lhe que também trabalho com atletas que pretendem todos os dias o melhor rendimento desportivo. Adoro esse trabalho. Fascina-me a busca da perfeição no desporto. Fico de pelos arrepiados quando os atletas se superam na pista.

Espero que se considere um excelente treinador, que seja seguro e confiante das suas capacidades e que pretenda aprender todos os dias para ter um melhor desempenho. Estou certo que os seus atletas apreciarão isso já que eles serão os maiores beneficiados dessa situação.

Quando me refiro aos benefícios que eles obterão, não me refiro apenas ao que se passa na pista ou no campo, embora como é obvio isso seja o mais importante. Afinal, é para isso que treinamos, que trabalhamos e portanto pretendemos os melhores desempenhos. Contudo, a busca de recursos pessoais e desportivos, a evolução e superação deve sempre ir mais além. É esta a minha visão que pretendo partilhar consigo.

O processo de preparação dos atletas deve ser cuidadosamente planeado e organizado. Deve ser criativo e permitir que cada um ofereça o melhor de si mesmo, seja o treinador, sejam os atletas. Quando oferecemos o melhor de nós mesmos existe sempre benefícios em favor individual, do próprio, e de outros, primeiro dos que estão ao nosso redor e depois de outros que não estão tão próximos mas podem apreciar e inspirar-se no nosso caminho, na nossa atitude e no desempenho quando ele é de qualidade.

Acredito bastante que para desempenhos de alta qualidade que se manifestam exteriormente com medalhas, recordes, campeonatos, etc., primeiro há que desenvolver o carácter e a personalidade de atletas e treinadores. É necessário para além de excelentes capacidades físicas uma grande robustez mental que suporte momentos de tensão, de preocupação e momentos menos conseguidos quando parece que os resultados não coincidem com o que preparamos ou ambicionamos. Já se sabe que eles formam parte do processo, mas ninguém quer passar por esses momentos em que não existem vitórias, não há nada para celebrar e porventura a crença nas suas próprias capacidades pode ficar afetada. É aqui que a robustez mental desempenha um papel importante. Que a firmeza, o carácter e a personalidade do treinador se pode tornar uma mais valia poderosa para auxiliar os atletas a ir para além de si mesmos. Quando se ganha tudo é fácil, tudo parece ajudar. Quando os resultados estão em contraciclo é aí que se demonstra a verdadeira fibra de vencedor. Esta fibra, este modo de ser e de estar vai certamente ser útil dentro e fora da pista. Vai ser útil em momentos difíceis, aqueles momentos em que é necessário enfrentar as adversidades com alma, com paixão, até onde tivermos que ir.

Desejo-lhe o melhor :)

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por ppmiguel às 00:21

Sexta-feira, 13.05.16

Sobreviver às lesões

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(Foto EFE)

Em 2010 Rafael Nadal tornou-se um dos poucos tenistas no mundo a vencer os 4 Grand Slams. Depois de vencer em Nova York ele referiu, “A vida surpreende-nos, certo? Há 10 meses parecia que nunca mais ia ser o mesmo pelas lesões. Agora parece que sou um dos melhores”. Efetivamente em 2009, ele foi bastante fustigado pelas lesões, mas não só em 2009, isso tem acontecido regularmente ao longo da sua carreira (veja estes artigos 2014 e 2016). Contudo ele não desistiu e continua a afirmar-se na elite mundial do ténis.

As lesões têm uma componente física importante, mas junto a esta existe sempre uma componente mental e emocional que pode interferir de forma a auxiliar ou perturbar a recuperação. O ano passado Nadal referiu que a sua principal lesão foi mental, que não foi dono das suas emoções e que a insegurança mental o conduziu a muitas dúvidas, inclusive de como acertar na bola. A sua recuperação ocorreu passo a passo e voltou a desfrutar de jogar ténis.

Quando um treinador ou um atleta ficam obcecados por um resultado começam a aparecer obstáculos de distinta ordem e as lesões são apenas um desses obstáculos, por ventura o maior. Não nos podemos esquecer que no desporto de rendimento o maior aliado dos atletas é o seu corpo que tem de estar em ótimas condições. Contudo, para que o corpo esteja em ótimas condições a cabeça também tem de funcionar no seu melhor nível.

As lesões são como as tempestades de chuva ou granizo que afeta a produção agrícola – podem deitar muito a perder. Contudo, quando as sementes e o cuidado da produção foi o adequado, sempre se pode recuperar algo. Se nesta temporada se perdeu a produção, na seguinte podemos precaver-nos melhor, investir novamente em boas sementes, cuidados adequados da produção e ter confiança que as tempestades não andam a todo o tempo a atravessar o nosso caminho.

As boas sementes, são os pensamentos que temos sobre determinado assunto. Os troncos das arvores são as nossas atitudes e comportamentos regulares. Os frutos são os resultados que conseguimos.

O problema de muitas pessoas é que querem ter bons frutos sem nunca dar atenção às sementes que deitaram à terra. As boas sementes dão sempre bons frutos, mesmo quando existem tempestades há sempre algo que se recupera. As más sementes nunca podem dar bons frutos, mesmo que as condições sejam de feição.

Neste sentido, sobreviver às lesões é possível quando se faz um bom trabalho. Todo e qualquer atleta volta mais forte, mais robusto física e mentalmente. Faz parte do seu processo de formação, de crescimento e de amadurecimento pessoal e atlético. Assim ele tenha os pensamentos adequados e não se coloque como vítima das circunstâncias.

 

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por ppmiguel às 15:42

Segunda-feira, 29.02.16

Carta ao atleta preguiçoso (mas também pode ser para outros)

Todos os treinadores passam por momentos difíceis de alguma incompreensão quando criticam os atletas por estes não estarem a treinar devidamente ou a aplicar-se convenientemente para conseguir resultados de excelência. Isto pode acontecer com um atleta preguiçoso, com um desorganizado e descuidado, ou com alguém que não cumpre a sua palavra.

Muitos treinadores temem efetuar críticas aos seus atletas quando eles são talentosos, ou o melhor elemento do grupo. Nada mais errado, o rodear-se de pessoas que apenas querem ouvir elogios. A seguinte carta pode ser dirigida a um qualquer atleta, mas também a um qualquer treinador que queiram fazer parte de uma equipa ganhadora motivada e exigente.

“Caro atleta XX

Quis o destino, que tu tivesses um grande potencial atlético, aquilo que vulgarmente se chama talento. O talento é algo que todos temos, uns numa área outros noutra. No caso do desporto e no atletismo em particular, muitos gostariam de ter esse talento que tu tens. Foi uma maravilha que a natureza e os teus pais te proporcionaram.

Contudo, para que uma pessoa se afirme numa qualquer área da vida, não basta ter talento. É preciso querer explorar esse talento para se conseguir produzir bons resultados e eventualmente brilhar ao mais alto nível, seja em campeonatos da Europa, do Mundo, ou Jogos Olímpicos (no caso do atletismo). Isso é o sonho de muitas pessoas, que só alguns têm a possibilidade de conseguir.

Aqueles que não têm talento natural, como foi o meu caso, por muito que treinem e se preparem nunca o conseguirão. Alguns, com talento natural, como é o teu caso, é possível que consigam, mas para isso como referi anteriormente é preciso que queiram e desejem explorar o seu talento.

Ora, qual é o meu papel enquanto treinador? (E particularmente desses talentos)

Nº 1, tenho que conhecer muito bem a modalidade. Eu já conheço.

Nº 2, tenho de saber muito de treino, de métodos de treino, e da evolução da performance dos atletas. Passei os últimos 20 anos a trabalhar e a estudar essa área que também domino.

Nº 3, tenho que ser um bom educador, formador e gestor de pessoas. Ora bem, nesta área é possível que ainda me falte algo.

Como referiste, preciso de ouvir sem interromper. Admito que isso é algo que eu deva melhorar se quiser ter maior sucesso com as pessoas e com os atletas.

Garanto-te que irei melhorar nesse aspeto.

Garanto-te que também irei continuar permanentemente a avaliar-me e a refletir sobre o que já faço bem e o que posso fazer melhor, para que aqueles que comigo trabalham também possam ser melhores.

O que também te garanto, e esta talvez seja a parte em que mais estejamos em desacordo, é que continuarei a ser exigente. É a minha forma de estar e não há volta a dar para se conseguirem resultados de excelência (creio que é o que ambos pretendemos).

Eu sou exigente comigo, com o meu trabalho. Investi em formação muitos anos e milhares de euros para satisfação pessoal e colocados ao serviço da minha profissão, do clube e dos atletas que treino, para que tenham maior qualidade, para que a minha intervenção seja mais metódica e rigorosa e, naturalmente para conseguir ter melhores resultados.

Eu estudo ao pormenor todos os treinos, as provas, os testes e as melhores opções para cada um dos atletas. Eu dedico muitas horas, muitos dias, muitos fins-de-semana ao treino e à preparação dos atletas e faço-o com muito gozo. Mas só o consigo fazer de forma profissional, com muito empenho, com muita dedicação, se quiseres, com muita alma.

Faço-o porque adoro esta modalidade e adoro ver e participar na evolução dos atletas e das pessoas. Estou 100% comprometido e portanto os que trabalham comigo devem ter a mesma postura. Só assim formamos uma verdadeira equipa. Uma equipa vencedora em que cada um tem o seu papel.

O papel do treinador é estudar e preparar o atleta o melhor possível (com estratégia, arte e engenho). O papel do atleta é executar aquilo que foi planeado e acordado entre ambos.

Quando alguém não está a cumprir com a sua parte, é normal que saiam ambos a perder. Se eu sinto que tu não estás a cumprir a tua parte, tu deverias ser o 1º a exigir-me que puxe por ti, que te motive e que te chame a atenção do que é necessário corrigir.

Lamentavelmente, isso nem sempre tem acontecido. É necessário que se saibam assumir os erros e que se procurem melhores soluções para os problemas que vão acontecendo. Isso é uma tarefa difícil, eu compreendo. Mas é necessário que seja feita, e o meu papel é zelar para que tal aconteça. Lamento as tuas incompreensões sobre as minhas reprimendas, ou se a forma como o faço não é a mais correta. Como te disse acima, eu vou melhorar este aspeto, mas não irei deixar de realizar críticas aquilo que considero que deva ser melhorado.

Por favor, espero que compreendas a minha exigência para conseguir melhores resultados. Espero ainda que fique claro que as minhas posições são de firmeza no que acredito ser o melhor para o atleta poder evoluir. Ser firme não é certamente ser rude e mal educado – essa nunca foi nem será a minha intenção.

Um grande abraço”

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por ppmiguel às 17:22

Segunda-feira, 25.01.16

Atenção aos Resultados, não adormeças.

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Numa aldeia viviam dois homens que se chamavam Joaquim Gonçalves. Um era o padre da paróquia, o outro era taxista. Quis o destino que ambos morressem no mesmo dia. Chegam então ao céu, onde São Pedro os aguarda.

- Como te chamas? – pergunta o santo ao primeiro.

- Joaquim Gonçalves.

- O padre?

- Não, o taxista.

São Pedro consulta os apontamentos e diz:

- Muito bem, ganhaste o Paraíso. Estas túnicas bordadas a ouro são para ti. Podes passar para a nossa zona de lazer e spa com massagens especiais, piscina e jacuzzi…

- Muito obrigado respondeu o taxista.

Passam mais duas ou três pessoas e chega a vez do outro.

- Nome?

- Joaquim Gonçalves.

- O padre…

- Sim.

- Muito bem meu filho. Ganhaste o Paraíso. Esta túnica de linho é para ti. Podes passar para a cozinha onde irás descascar batatas, lavar taxos e panelas.

- Não, não pode ser! Eu conheço o outro homem, era taxista na minha aldeia, era um desastre! Subia passeios, batia com o carro dia sim, dia não, uma vez espatifou-se contra uma casa, derrubava postes de iluminação, levava tudo á frente. Conduzia mesmo muito mal… E eu passei 75 anos da minha vida a pregar todos os domingos na paróquia, como é possível ele ficar com a túnica de ouro, ir para a zona de lazer e eu com a túnica de linho trabalhar para a cozinha? Deve haver engano!

- Não, não há qualquer engano – afirma São Pedro. – o que acontece é que aqui, no Céu, não costumamos avaliar as coisas como vocês na vida terrena.

- Como? Não entendo…

- Claro… agora, observemos os resultados…, Olha no teu caso vou-te explicar e vais compreender: durante os últimos vinte anos, cada vez que pregavas as pessoas adormeciam; mas de cada vez que ele conduzia, as pessoas rezavam. Resultados! Compreendes agora?

 

Esta história foi contada por um sacerdote amigo de Jorge Bucay no seu livro “As 3 perguntas – Quem sou? Onde vou? Com quem?”.

Algumas pessoas dão demasiada importância aos resultados e outras ao processo para a sua obtenção. Não se fie exclusivamente numa das partes, qualquer delas é importante. Ir atrás dos resultados a qualquer preço pode afastá-lo das pessoas e conduzir a alguns acidentes de percurso. Por outro lado, se tiver demasiado calmo quanto ao processo e não for objetivo poderá adormercer…, sem resultados!

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por ppmiguel às 15:33

Sábado, 26.12.15

O remador BANIF, BES e outros mais…

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Conta-se que certa vez se organizou uma competição de remo entre duas grandes empresas. Uma equipa era formada por portugueses e a outra por japoneses.

Os japoneses não deram qualquer hipótese e cruzaram a linha de meta uma hora antes dos portugueses. A direção da equipa derrotada reuniu-se com carácter de urgência para analisar as causas de semelhante desaire e tirou as seguintes conclusões, que enviou por e-mail a todos os funcionários:

“Constatou-se que na equipa japonesa havia um chefe de equipa e dez remadores, ao passo que na equipa portuguesa havia um remador e dez chefes de equipa. No próximo ano, tomar-se-ão medidas adequadas.”

No ano seguinte, as coisas correram ainda pior para os portugueses, já que chegaram uma hora e meia depois dos japoneses. Uma vez mais, a direção reuniu-se para estudar o caso e viram que, nesse ano, a equipa japonesa era novamente composta por um chefe de equipa e dez remadores. Pelo contrário, a equipa portuguesa, depois de serem adaptadas as medidas apropriadas mediante os resultados do ano anterior, era composta por um chefe de serviço, três assessores de gestão, oito chefes de secção e um remador. A direção chegou à seguinte conclusão: o remador era completamente incompetente.

No ano seguinte, os resultados foram ainda mais negativos para a equipa portuguesa, que chegou quatro horas depois da japonesa. A direção, depois das devidas análises, redigiu o seguinte comunicado:

“Uma vez mais, a equipa japonesa optou por uma tripulação tradicional formada por um chefe de equipa e dez remadores. Nós, depois de uma consultoria externa e da acessória dos departamentos de Organização e de Informática, optámos por uma formação muito mais inovadora: um chefe de serviço, três chefes de secção com excelentes níveis de produtividade, dois auditores e quatro vigilantes certificados com instruções concretas para vigiar o remador, que já fi repreendido e punido, tendo-lhe sido retirados todos os louvores e bónus por causa do fracasso do ano anterior. Assim, para a regata do próximo ano, determina-se que o remador seja expulso da empresa e substituído por um contratado externo. Os motivos do despedimento são claros e fundamentados: a partir do segundo terço da carreira, começou a notar-se um certo desleixo no indivíduo. Desleixo que roça a desfaçatez quando só conseguiu cruzar a linha de chegada quatro horas depois dos japoneses.”

 

Esta história é contada por Gabriel García de Oro no seu livro “Storytelling – a magia das palavras” numa versão para espanhóis que facilmente se adapta aos portugueses, qualquer deles certamente se identifica com o remador que não atinge os seus objetivos, ou vive acima das suas possibilidades, enquanto alguma da nossa pseudo-elite em algumas esferas de decisão, garantem os seus lugares, as suas avaliações de mérito, os seus bónus e prémios. Claro que se somos poucos a remar demoramos mais tempo.

 

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por ppmiguel às 17:14

Segunda-feira, 30.11.15

Apresentação do Livro de Coaching e Agradecimentos

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No próximo dia 16 de Dezembro será apresentado no auditório da Escola Superior de Desporto de Rio Maior o livro "Coaching: As 8 sessões essenciais para atletas, treinadores e outros profissionais do Desporto".

Apresento abaixo, transcrito da obra, os meus agradecimentos a todos os que de uma forma ou de outra deram o seu contributo.

Desde o final dos anos 90 que tenho intenção de escrever um livro. Primeiro preparei algo sobre o treino da força em atletas. Depois iniciei um manual de atletismo e também cheguei a pensar num livro de teoria e metodologia do treino. Se bem que tenha algumas publicações em revistas técnicas das referidas temáticas, nunca realizei esse desiderato de escrever um livro.

            Quando nos finais de 2008 me comecei a interessar pelo estudo, prática e formação em coaching, eis que surge para mim mais uma oportunidade para escrever sobre uma matéria que me apaixona. Não poderia deixar escapar esta ocasião para viajar no mundo da escrita, onde procurei conciliar estudo, experiências práticas e formação diversa.

            Evidentemente que a maior parte da viagem que é escrever um livro é feita a solo, contudo gostaria de agradecer às pessoas que me apoiaram nesta missão que foi a escrita da presente obra.

            Quero começar por agradecer a Sérgio Bulat pelas reuniões que tivemos e a sua disponibilidade, onde fiquei a conhecer o que é coaching para escrever. Também quero agradecer a outros coaches com os quais aprendi imenso, Paco Yuste, Diego Gutierrez e muitos outros companheiros em Ecubica e Escuela de Inteligencia em Madrid.

            Um agradecimento especial às pessoas que me inspiraram a escrever as histórias de abertura de cada capítulo, atletas, clientes de coaching ou amigos.

            Depois de concluída a escrita, solicitei a um conjunto de pessoas que fossem os meus primeiros leitores e revisores – António Graça, Mónica Jorge, Rui Lança, Hugo e Vânia, Nanci, Patricia, Nuno Loureiro e Helena. A todos estou muito grato pelas sugestões e comentários efetuados.

            Agradeço também ao professor Jorge Vieira que desde a primeira hora aceitou o meu desafio para escrever o prefácio do livro.

            À equipa Sportbook e Publindústria agradeço a aposta efetuada, na pessoa do senhor António Malheiro e restantes colaboradores, Jorge Costa, Jorge Pissarra, Diogo Resende e Luciano Carvalho.

            Outra equipa da qual faço parte, a da ESDRM, especialmente aos colegas que vão acolhendo as minha ideias sobre coaching, estou bastante grato pelos vários momentos de partilha.

            Para finalizar, um agradecimento especial àqueles com os quais tenho passado mais tempo, os meus atletas, os meus pais e a minha irmã, um grande abraço a todos extensível aos estimados leitores que decidiram adquirir e ler o presente livro. Bem hajam!

            Podem continuar a acompanhar o meu trabalho em www.paixao-coaching.com ou www.correcomalma.com .

 

Rio Maior, Novembro de 2015

 

 

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por ppmiguel às 23:45

Segunda-feira, 26.10.15

Sempre on-line, maus e bons hábitos

Quanto tempo demora a criar-se um novo hábito?

Foi a pergunta que Jeremy Dean colocou e que o levou a investigar sobre a mesma, e a escrever o livro “Porque fazemos o que fazemos – Bons hábitos”.

Ele encontrou alguns livros e autores que referem que possam ser 21 ou 28 dias para que um hábito possa ficar enraizado (3 a 4 semanas). Alguns trabalhos tinham fundamentação científica, outros nem tanto.

Como é evidente, o hábito a enraizar depende de ação para ação, alguns mais simples levam menos tempo do que outros mais exigentes.

Já quanto aos hábitos que pensamos que nos poderão beneficiar, como a utilização das novas tecnologias e a relação que estabelecemos com as mesmas com horas intermináveis no facebook, instagram, twitter ou outras redes sociais, bem como um dos maiores devoradores de tempo – o e-mail com a quantidade de vezes a que acedemos – talvez se tornem hábitos pouso saudáveis. Alguns psicólogos falam em adição e outros em falta de autorregulação quando não existe uma adequada gestão da relação com esses meios, o que pode minar outras atividades, relações próximas, trabalho e tudo o que se possa aproximar a uma vida considerada normal.

A falta de autorregulação acontece quando existe um défice de auto-observação. Para largar um mau hábito, seja esta desregulação de contacto com as redes sociais, seja o hábito de fumar ou de comer "porcarias", é necessário ter noção de quando, como e onde esse hábito acontece, i.e., ser consciente, auto observar-se, ou viver no momento. Quando fazemos isso começamos a ter consciência daquilo que são esses comportamentos e pensamentos que são dirigidos pelo nosso inconsciente. É o inconsciente que regula todo o nosso comportamento automático e um hábito é isso mesmo, uma ação ou comportamento que foi repetido imensas vezes e se tornou automático.

Para que se possa instalar um novo hábito, que seja positivo e benéfico, a pessoa tem que estar motivada e ter um objetivo suficientemente estimulante. Depois, há que ter um plano e focar-se nos processos e ferramentas que permitam ir alcançando objetivos parciais.

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por ppmiguel às 09:47


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