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Paixão-Coaching, o blog

Posts sobre Coaching e Treino Desportivo


Sexta-feira, 01.03.19

Wellcome to Iten

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Iten é uma cidade com cerca de 42.000 habitantes, provavelmente não mais de 10% reside na cidade – os restantes nas povoações e campos em redor. Vários sites na internet referem que haverá mais de 1000 atletas a viver e a treinar por aqui. Algumas pessoas com quem falámos referiram-nos que a maioria da população são atletas. A minha perceção é que os atletas não serão mais do que 1/3 da população na cidade, o que ainda assim daria um número superior a 1500 atletas. Contando com os que vivem nas aldeias dos arredores a quantidade de atletas pode chegar aos 10.000.

Para além dos atletas que vêm de todo o país, para aqui se instalarem e tentarem a sua sorte na corrida, a maioria da população dedica-se à agricultura e à criação de gado. Sendo uma zona rural, é possível verificar que praticamente todos os terrenos são cultivados e abundam pequenas unidades de vacas e ovelhas.

No centro da cidade há pelo menos 3 bancos e também algumas instituições administrativas, hospital e o principal colégio da zona – St. Patricks. Por todo o lado há pequenos quiosques de comércio, a maioria deles vende fruta e legumes, não estivéssemos nós numa zona agrícola.

A maioria das casas são rudimentares, algumas são verdadeiras barracas de madeira ou chapa de zinco, tal como os quiosques de comércio.

No centro da cidade e próximo da estrada de alcatrão há varias casas em cimento, algumas delas com boa qualidade de construção. Pelo que me referiram, por aqui os terrenos, quanto mais perto da estrada principal, mais valiosos. Talvez por essa razão, as casas mais afastadas da estrada são de construção muito básica.

Apesar destas dificuldades, a rede móvel tem uma qualidade apreciável. Ainda assim, por estes dias tem estado algo instável, tal como a eletricidade que falha diversas vezes, especialmente quando o vento é forte.

A oferta de transportes é elevada, mas de privados. A cada esquina é possível ver motas que podem transportar um, dois ou 3 passageiros (às vezes com carga) – chamam-lhes pikipiki e levam as pessoas da cidade para os campos e vice-versa, ou a qualquer local que seja solicitado. O outro meio de transporte, são os matatus. Matatus são carrinhas de 9 lugares, a maioria Toyota Hiace, mas também há várias Mazda, Nissan e outras marcas. Embora estes carros sejam de 9 lugares, podem ter 4 ou 5 filas de bancos e só arrancam da “estação” quando estão completos, levando sempre mais passageiros do que era suposto – um carro de 9, adaptado para 12 pode levar até 20 pessoas (numa das nossas viagens erámos 16). Estes carros podem contratar-se para uso privado, sendo o preço negociável. Se uma viagem de 15 a 30kms pode custar 50 a 100Ksh (menos de 1euro) por pessoa, para uso privado com 9 pessoas para ir treinar a uma cidade que fica a 15km, pagámos 2000ksh (18euro). Esse carro fez o trabalho que um táxi faria, ida e volta, mas aguardando as 2h que durou a nossa sessão.

Quanto a autocarros, os que vemos por aqui são todos amarelos e servem apenas para transporte escolar. Podem ser de escolas públicas ou privadas que recebem apoio estatal para esse transporte. Para além dos autocarros, também há minibus que se deslocam nos caminhos rurais recolhendo os alunos.

A população é bastante amigável com os estrangeiros, especialmente os corredores, que deverão ser praticamente todos os que aqui vêm de fora, sejam atletas de alto rendimento ou turistas runners que vêm viver a experiência queniana da cidade dos campeões. Especialmente as crianças, com as suas saudações, “Hi” ou “How aaaar´you?”. Quando passamos perto esticam a mão e se retribuímos e lhe tocamos ficam todas contentes. É possível verificar que são felizes com pouco. Algumas das suas brincadeiras, são as que víamos em Portugal nos anos 70. Inventam brinquedos, como papagaios com uma cana, um fio e um saco de plástico aberto.

Não raras vezes, quando passamos a correr, acompanham-nos, mesmo de chinelos miúdos com 8, 9 anos chegam a fazer 1km connosco. Que festa!!

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por ppmiguel às 08:51

Segunda-feira, 14.05.18

Paradoxos de contactar com pessoas

“As pessoas são ilógicas, irracionais e narcisistas – de qualquer modo ame-as.

Se fizer bem, as pessoas irão acusá-lo de ter motivos egoístas posteriores – de qualquer modo, faça o bem.

Se for bem sucedido, irá ganhar falsos amigos e verdadeiros inimigos – de qualquer forma, alcance o sucesso.

O bem que fizer hoje provavelmente será esquecido amanhã – de qualquer modo, pratique o bem.

A honestidade e a franqueza tornam-no vulnerável – de qualquer modo, seja honesto e franco.

O maior homem, com as maiores ideias, pode ser abatido pelo homem mais pequeno, com a mente mais pequena – de qualquer modo pense em grande.

As pessoas favorecem os perdedores mas apenas seguem os vencedores – de qualquer modo, lute por alguns perdedores.

O que passou anos a construir pode ser destruído do dia para a noite – de qualquer modo, continue a construir.

As pessoas precisam realmente de ajuda mas poderão atacá-lo se tentar ajudá-las – de qualquer forma, ajude-as.

Dê ao mundo o melhor que tiver e receberá um murro no estômago – de qualquer forma, dê o seu melhor ao mundo. Se o melhor é possível, então o bom não é suficiente.”

In J.C. Maxwell - Relacionamentos

(do blog correcomalma em 27Jan2011 https://correcomalma.blogs.sapo.pt/19273.html )

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por ppmiguel às 09:52

Sábado, 14.04.18

Escuta ativa, pais e treinadores!

Pais e treinadores para além de formadores são também educadores. Muitas vezes na nossa ansia de querer tanto ajudar os educandos acabamos por não os deixar realizar o seu próprio percurso e estamos mais focados em dar conselhos, como que achando que eles e elas com menos experiência que nós irão cometer os mesmo erros que cometemos. Que ignorância a nossa, achar que o outro vê o mundo com os nossos olhos.

Muitas vezes esquecemo-nos de escutar. A melhor forma de ajudar é fazer isso mesmo, escutar, mas escutar activamente.

Escuta activa é muito mais que ouvir, é por atenção no outro e compreender que há um mundo por detrás das palavras. É compreender que esse mundo é diferente do nosso, pelo que quando escutamos, o nosso conselho pode não ser o mais adequado. É centrar-se no outro e nas suas necessidades, o que exige fazer silencio dentro de nós mesmos.

No curso de Inteligência Emocional da Escuela de Inteligencia (Madrid), trabalhamos um pouco sobre o assunto e analizámos um texto de O´Donnell R. que transcrevo nas palavras do autor:

"Cuando te pido que me escuches y tu empiezas a darme consejos, no has hecho lo que te he pedido. Cuando te pido que me escuches, y tú empiezas a  decirme  por  qué  no  tendría  que  sentirme  así,  no  respetas  mis sentimientos.  Cuando  te  pido  que me  escuches,  y  tú  sientes  el  deber  de hacer  algo  para  resolver  mi  problema,  no  respondes  a mis  necesidades.

¡Escúchame!

Todo lo que te pido es que me escuches, no que hables ni que hagas. Solo que me escuches. Aconsejar es fácil. Pero yo no soy un incapaz. Quizá esté desanimado o en dificultad, pero yo no soy un inútil. Cuando tu haces por mi lo que yo mismo podría hacer y no necesito, no haces más que contribuir a mi inseguridad. Pero cuando aceptas, simplemente, que lo que siento me pertenece, aunque sea irracional, entonces no tengo que intentar hacértelo entender, sino empezar a descubrir lo que hay dentro de mi."

(do blog correcomalma em 27Jun2011 correcomalma.blogs.sapo.pt/22943.html )

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por ppmiguel às 09:40

Quinta-feira, 08.03.18

Filmografia de Coaching

A utilização de filmes é um recurso bastante comum e eficaz em processos de coaching, cursos de aprendizagem e noutras situações em que o drama, as dificuldades e a evolução de determinada personagem pode servir de inspiração à realidade de cada um. Apresento-vos 20 filmes que podem ser catalizadores de mudança, transformação, crescimento e desenvolvimento pessoal, e profissional.

  1. Invictus (2009) com Morgan Freeman
  2. A Lenda de Bagger Vance (2000) com Will Smith
  3. O Guerreiro Pacífico (2006) com Scot Mechlowicz e Nick Nolte
  4. Enzo Ferrari (2003) com Sergio Castellitto
  5. Coach Carter (2005) com Samuel L. Jackson
  6. Em busca da Felicidade (2006) com Will Smith
  7. O Bom Rebelde (1997) com Matt Damon e Robin Williams
  8. Descobrir Forrester (2000) com Sean Connery e Rob Brown
  9. O Discurso do Rei (2010) com Colin Firth, Geoffrey Rush e Helena B. Carter
  10. Billy Elliot (2000) com Jamie Bell
  11. A rede social (2010) com Jesse Eisenberg
  12. O Naufrago (2000) com Tom Hanks
  13. Whiplash – Nos limites (2014) com Miles Teller e J.K. Simmons
  14. Nas Nuvens (2009) com George Clooney
  15. As palavras (2012) com Bradley Cooper
  16. Invencível (2014) com Jack O´Connell
  17. Hitch – a cura para o homem comum (2005) com Will Smith
  18. Divertida-mente (2015)
  19. Master and Commander: O lado longínquo do Mundo (2003) com Russell Crowe
  20. Amigos Improváveis (2011) com  François Cluzet e Omar Sy

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por ppmiguel às 14:11

Segunda-feira, 15.01.18

Campeonato Nacional de Estrada no Jamor 2018

Relativamente à corrida masculina, antes demais felicitar os campeões Samuel Barata e a equipa do Sporting. 

Agora gostaria de fazer uma análise ao que tem sido a politica de contratações dos dois clubes grandes do atletismo português. O SCP ganhou este campeonato graças aos atletas que recebeu este defeso por parte do seu rival, nomeadamente Alberto Paulo, que caso se mantivesse no SLB, este teria sido novamente campeão (com 17 pontos em vez de 23, enquanto o SCP somaria 19 no lugar de 17).
O que não se compreende é a fraca aposta do SCP em atletas jovens – a média de idades dos seus 11 atletas que concluíram a prova é de 32,4 anos enquanto no SLB é de 26,8 (26,5 os que contaram para a equipa). 
Poder-se-á argumentar que estes (mais velhos) ainda são melhores (a média dos que contaram para a equipa é de 34,3 anos), contudo, considero esta uma visão redutora, de muito curto prazo e que em nada beneficia o atletismo português.
Explico-me. O facto de estas equipas continuarem a apostar nos atletas próximos da veterania não refresca a elite nacional. Muitos jovens atletas acabam por se perder para a modalidade, por não conseguirem um patrocinador ou clube que lhe permita dedicar-se em regime semi-profissional ou profissional (aspeto que considero fundamental a partir dos 20 anos). Embora estando perto de dar um salto qualitativo que os veteranos já não darão, lamentavelmente os responsáveis destas equipas nem sempre têm uma visão de apostar num jovem atleta na etapa crítica, que é o escalão sub23/Esperanças. É nesta etapa que se tomam grandes decisões para a vida – estudar, trabalhar, dedicar-se a tempo inteiro ao atletismo, etc.
A aposta destes grandes clubes nestes jovens atletas pode fazer toda a diferença na sua carreira profissional (e na dos clubes também). É certo que poderão demorar mais um ou dois anos a integrar o lote de atletas que contam para a classificação coletiva, mas também poderão de um momento para outro dar um salto qualitativo que os veteranos já não darão certamente.
Quando vejo que alguns dos atletas que treino (mais alguns rivais de outros clubes), estão ali à beirinha dos 20 primeiros e cada vez mais perto da cabeça da corrida, questiono-me se vale mesmo a pena a qualquer jovem integrar as fileiras de qualquer destes clubes, ou se não será melhor conseguir um bom patrocínio que permita preparar a sua carreira e evolução de forma sustentada. Lamentavelmente, quer para um quer para outro não temos tarefa facilitada. Assim sendo, nos pequenos clubes continuamos a viver fundamentalmente da aposta dos atletas e treinadores, tendo como principal fonte de financiamento os recursos familiares.
Pelo menos o entusiasmo mantém-se em altas!

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por ppmiguel às 15:19

Terça-feira, 13.09.16

Desculpe, está mesmo a falar a sério? “Quatro atletas paralímpicos estão a dar que falar porque qualquer um deles poderia ter conquistado o ouro nos Jogos Olímpicos do Rio.”

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 Estão a circular nos meios de comunicação, que comunicam mal, e também nas redes sociais a notícia de que alguns atletas paralímpicos da categoria T13 poderiam ser campeões olímpicos por terem realizado melhor marca que o atual campeão da corrida dos 1500m.

Quem dá uma notícia destas só pode estar a brincar, a desinformar o público e claramente não percebe o mínimo do assunto. Uma prova de campeonato não se corre para fazer marcas mas sim para conseguir o melhor lugar. Cada atleta realiza a melhor estratégia que se adapta às suas características.

Centrowitz, o Campeão Olímpico é um forte terminador e beneficiou duma corrida lenta de inicio com uma passagem aos 800m em 2,16. É fácil compreender que este tempo é lento se lhe disser que miúdos de todo o mundo (atletas) com 14 anos conseguem passar nesses tempos numa corrida regular. Como é obvio depois dos 800m, Centrowitz e os seus adversários da final olímpica correram muito rápido, 55,4 segundos nos seguintes 400m e 38 segundos nos últimos 300m para o campeão olímpico.

Os atletas da final olímpica têm recordes pessoais entre os 3,26.69 e os 3,35.02. Querer comparar estes atletas com alguém que faça 3,48 é absolutamente ridículo. Tenho o máximo respeito por este e por todos os atletas paralímpicos, mas por favor não queiram comparar o que não é comparável. Este atleta se corresse numa prova regular com os seus congéneres da final olímpica perderia cerca de 100m, um pouco mais ou menos, dependendo do ritmo imposto na fase inicial da corrida. Assim, as pessoas entenderiam a diferença de valores entre os referidos atletas.

Estas notícias, bem como um certo lobbing do desporto paralímpico em querer comparar-se com os atletas olímpicos são no mínimo descabidas e em alguns casos completamente absurdos.

Estas notícias não servem para informar o público, servem para desinformar quem não sabe sobre o assunto e eventualmente chamar a atenção. Demonstram também, mais uma vez a ignorância de quem as escreve, quando escreve sobre assuntos que desconhece.

Quanto aos atletas paralímpicos, mais uma vez refiro, máximo respeito pela sua entrega e dedicação. Contudo, partilho um pouco do que é a opinião de José Carvalho, alto rendimento é para os atletas que podem efetivamente ser de alto rendimento e realizar as melhores performances. Os atletas paralímpicos conseguem bons desempenhos, aliás em alguns casos excelentes desempenhos e por isso têm acesso às provas Olímpicas ou campeonatos do mundo onde estão os melhores. Para se ter uma ideia, esta marca de 3,48.29 do argelino campeão paralímpico não lhe dava sequer acesso aos campeonatos do mundo de juniores.

Sobre as medalhas, sobre apoios, sobre reconhecimento social escuso-me a referi-los neste momento. Fico-me apenas pela questão da performance dos atletas e que fique clara a minha opinião, não se compare o que não é comparável.

 (Foto Getty Images)

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por ppmiguel às 16:49

Sexta-feira, 19.08.16

Vamos ali ao supermercado comprar umas medalhas

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Caros amigos este texto vai para vocês que tentam a todo o custo explicar aos vossos amigos que não entendem bem o que é necessário para se conquistar um lugar de destaque num Campeonato do Mundo ou nos Jogos Olímpicos.

Por favor, parem de tentar explicar que é muito difícil conquistar uma medalha. As pessoas não vão entender.

  1. Não vão entender quantos anos são necessários para se preparar para uma grande competição;
  2. Não vão entender que o maior investimento feito é geralmente do atleta, do treinador e dos seus familiares;
  3. Não vão entender que apesar de existir algum apoio por parte das diversas estruturas nacionais o projeto olímpico é especialmente de pequenos grupos – o atleta, o treinador, alguns colaboradores e uma ou outra federação, ou clube, que possam estar melhor organizados;
  4. Não vão entender que para se disputar medalhas é necessário adquirir experiência internacional em diversas competições e nas fases iniciais todos os atletas conseguem classificações modestas;
  5. Não vão entender que possam existir outros competidores com os mesmos objetivos, que por mais bem organizados que possamos estar, os nossos adversários também o fazem e no final a competição se encarrega de colocar cada um no seu lugar;
  6. Não vão entender porque infelizmente muitos dos jornalistas também não compreendem suficientemente o fenómeno do desporto de competição para poder passar a informação adequada ao público em geral;
  7. Não vão entender que alguns jovens apesar do seu talento, precisam de muito mais que 2 a 3 épocas com treino de qualidade.
  8. Não vão entender que se um jovem começar aos 15 anos numa modalidade, precisa de experiências prévias (isto quer dizer que deveria ter começado aos 9, 10 ou 12 anos) e de iniciar a sua especialização. Só aos 19 ou 20 anos ele se dedicará à alta competição – uma fase crítica, onde precisa de tempo para treinar, motivação para continuar quando a maioria dos seus colegas abandona fruto da maior exigência e seletividade. Precisa especialmente de fazer as suas escolhas e estar consciente que se um dia for aos Jogos Olímpicos a maioria das pessoas não o vão entender.

Se porventura ele ou ela continuar a insistir na sua carreira, se for persistente apesar dos poucos apoios e de alguma incompreensão, com o trabalho adequado, organização e disciplina, passados 4 anos poderá estar a conquistar uma medalha, mas lembro-lhe:

Durante esse tempo não tente explicar aos seus amigos quem era esse atleta que ficou no meio da tabela, eles não vão conhecer nem se importam. Contudo, quando se conseguir a medalha como de costume, vai aparecer muita gente, imensa. Muitos vão ao aeroporto, fazem-se festas e homenagens e por aí adiante. Usa-se o atleta como modelo a seguir, mas o mais provável é voltar tudo ao mesmo. Aqueles que agora têm 16 ou 17 anos com os quais se poderia e deveria fazer um trabalho sério e organizado a longo prazo continuarão sem os mesmos apoios, incentivos e a ter que decidir e investir por si mesmos com uma estrutura muito curta.

Por isso, por favor não tente explicar que há quem faça as coisas acontecer, outros vêm as coisas acontecer e alguns perguntam o que aconteceu…, na semana dos Jogos Olímpicos ou em toda uma carreira de um atleta de alta competição.

Não tente explicar, peça apenas respeito aos que honram a camisola do seu país!

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por ppmiguel às 14:16

Quinta-feira, 14.07.16

A boa sorte

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Andrew Matthews no seu livro siga o seu coração conta-nos esta história a propósito do que pensamos ser boa ou má sorte.

 

Em tempos viveu um agricultor que tinha um filho e um cavalo. Certo dia, o cavalo do agricultor fugiu e todos os vizinhos vieram consola-lo dizendo,

   - Que má sorte o teu cavalo ter fugido!

E o homem respondeu,

   - Quem sabe se a sorte foi boa ou má.

   - Claro que foi má sorte – responderam os vizinhos.

Passado uma semana, o cavalo do agricultor regressou a casa, seguido por vinte cavalos selvagens. Os vizinhos do agricultor vieram comemorar, dizendo,

   - Que boa sorte teres o cavalo de volta e ainda por cima mais vinte!

E o homem respondeu,

   - Quem sabe se a sorte foi boa ou má.

No dia seguinte o filho do agricultor estava a andar de cavalo no meio dos cavalos selvagens e caiu partindo a perna. Os vizinhos vieram consola-lo dizendo,

   - Que má sorte.

E o agricultor respondeu,

   - Quem sabe se a sorte foi boa ou má.

Alguns dos vizinhos ficaram zangados e disseram.

   - Claro que foi má sorte, seu velho tonto!

Na semana seguinte, passou pela cidade um exército recrutando todos os jovens em boas condições físicas para lutar em terras distantes. O filho do agricultor, tendo a perna partida, foi deixado para trás. Todos os vizinhos vieram comemorar dizendo,

   - Que boa sorte o teu filho ter ficado para trás!

   - Quem sabe!? (disse o agricultor)

 

A boa ou má sorte, somos nós que catalogamos. Somos nós que decidimos o valor de cada acontecimento, a oportunidade, o positivo ou negativo.

Estamos onde devemos estar, nós decidimos o que fazer com isso!

 

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por ppmiguel às 10:26

Quarta-feira, 01.06.16

Carta aberta aos treinadores

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Caro treinador se trabalha com atletas de rendimento ou alto rendimento, escrevo estas linhas para si. Quero dizer-lhe que também trabalho com atletas que pretendem todos os dias o melhor rendimento desportivo. Adoro esse trabalho. Fascina-me a busca da perfeição no desporto. Fico de pelos arrepiados quando os atletas se superam na pista.

Espero que se considere um excelente treinador, que seja seguro e confiante das suas capacidades e que pretenda aprender todos os dias para ter um melhor desempenho. Estou certo que os seus atletas apreciarão isso já que eles serão os maiores beneficiados dessa situação.

Quando me refiro aos benefícios que eles obterão, não me refiro apenas ao que se passa na pista ou no campo, embora como é obvio isso seja o mais importante. Afinal, é para isso que treinamos, que trabalhamos e portanto pretendemos os melhores desempenhos. Contudo, a busca de recursos pessoais e desportivos, a evolução e superação deve sempre ir mais além. É esta a minha visão que pretendo partilhar consigo.

O processo de preparação dos atletas deve ser cuidadosamente planeado e organizado. Deve ser criativo e permitir que cada um ofereça o melhor de si mesmo, seja o treinador, sejam os atletas. Quando oferecemos o melhor de nós mesmos existe sempre benefícios em favor individual, do próprio, e de outros, primeiro dos que estão ao nosso redor e depois de outros que não estão tão próximos mas podem apreciar e inspirar-se no nosso caminho, na nossa atitude e no desempenho quando ele é de qualidade.

Acredito bastante que para desempenhos de alta qualidade que se manifestam exteriormente com medalhas, recordes, campeonatos, etc., primeiro há que desenvolver o carácter e a personalidade de atletas e treinadores. É necessário para além de excelentes capacidades físicas uma grande robustez mental que suporte momentos de tensão, de preocupação e momentos menos conseguidos quando parece que os resultados não coincidem com o que preparamos ou ambicionamos. Já se sabe que eles formam parte do processo, mas ninguém quer passar por esses momentos em que não existem vitórias, não há nada para celebrar e porventura a crença nas suas próprias capacidades pode ficar afetada. É aqui que a robustez mental desempenha um papel importante. Que a firmeza, o carácter e a personalidade do treinador se pode tornar uma mais valia poderosa para auxiliar os atletas a ir para além de si mesmos. Quando se ganha tudo é fácil, tudo parece ajudar. Quando os resultados estão em contraciclo é aí que se demonstra a verdadeira fibra de vencedor. Esta fibra, este modo de ser e de estar vai certamente ser útil dentro e fora da pista. Vai ser útil em momentos difíceis, aqueles momentos em que é necessário enfrentar as adversidades com alma, com paixão, até onde tivermos que ir.

Desejo-lhe o melhor :)

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por ppmiguel às 00:21

Sexta-feira, 13.05.16

Sobreviver às lesões

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(Foto EFE)

Em 2010 Rafael Nadal tornou-se um dos poucos tenistas no mundo a vencer os 4 Grand Slams. Depois de vencer em Nova York ele referiu, “A vida surpreende-nos, certo? Há 10 meses parecia que nunca mais ia ser o mesmo pelas lesões. Agora parece que sou um dos melhores”. Efetivamente em 2009, ele foi bastante fustigado pelas lesões, mas não só em 2009, isso tem acontecido regularmente ao longo da sua carreira (veja estes artigos 2014 e 2016). Contudo ele não desistiu e continua a afirmar-se na elite mundial do ténis.

As lesões têm uma componente física importante, mas junto a esta existe sempre uma componente mental e emocional que pode interferir de forma a auxiliar ou perturbar a recuperação. O ano passado Nadal referiu que a sua principal lesão foi mental, que não foi dono das suas emoções e que a insegurança mental o conduziu a muitas dúvidas, inclusive de como acertar na bola. A sua recuperação ocorreu passo a passo e voltou a desfrutar de jogar ténis.

Quando um treinador ou um atleta ficam obcecados por um resultado começam a aparecer obstáculos de distinta ordem e as lesões são apenas um desses obstáculos, por ventura o maior. Não nos podemos esquecer que no desporto de rendimento o maior aliado dos atletas é o seu corpo que tem de estar em ótimas condições. Contudo, para que o corpo esteja em ótimas condições a cabeça também tem de funcionar no seu melhor nível.

As lesões são como as tempestades de chuva ou granizo que afeta a produção agrícola – podem deitar muito a perder. Contudo, quando as sementes e o cuidado da produção foi o adequado, sempre se pode recuperar algo. Se nesta temporada se perdeu a produção, na seguinte podemos precaver-nos melhor, investir novamente em boas sementes, cuidados adequados da produção e ter confiança que as tempestades não andam a todo o tempo a atravessar o nosso caminho.

As boas sementes, são os pensamentos que temos sobre determinado assunto. Os troncos das arvores são as nossas atitudes e comportamentos regulares. Os frutos são os resultados que conseguimos.

O problema de muitas pessoas é que querem ter bons frutos sem nunca dar atenção às sementes que deitaram à terra. As boas sementes dão sempre bons frutos, mesmo quando existem tempestades há sempre algo que se recupera. As más sementes nunca podem dar bons frutos, mesmo que as condições sejam de feição.

Neste sentido, sobreviver às lesões é possível quando se faz um bom trabalho. Todo e qualquer atleta volta mais forte, mais robusto física e mentalmente. Faz parte do seu processo de formação, de crescimento e de amadurecimento pessoal e atlético. Assim ele tenha os pensamentos adequados e não se coloque como vítima das circunstâncias.

 

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por ppmiguel às 15:42


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