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Paixão-Coaching, o blog

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Segunda-feira, 15.01.18

Campeonato Nacional de Estrada no Jamor 2018

Relativamente à corrida masculina, antes demais felicitar os campeões Samuel Barata e a equipa do Sporting. 

Agora gostaria de fazer uma análise ao que tem sido a politica de contratações dos dois clubes grandes do atletismo português. O SCP ganhou este campeonato graças aos atletas que recebeu este defeso por parte do seu rival, nomeadamente Alberto Paulo, que caso se mantivesse no SLB, este teria sido novamente campeão (com 17 pontos em vez de 23, enquanto o SCP somaria 19 no lugar de 17).
O que não se compreende é a fraca aposta do SCP em atletas jovens – a média de idades dos seus 11 atletas que concluíram a prova é de 32,4 anos enquanto no SLB é de 26,8 (26,5 os que contaram para a equipa). 
Poder-se-á argumentar que estes (mais velhos) ainda são melhores (a média dos que contaram para a equipa é de 34,3 anos), contudo, considero esta uma visão redutora, de muito curto prazo e que em nada beneficia o atletismo português.
Explico-me. O facto de estas equipas continuarem a apostar nos atletas próximos da veterania não refresca a elite nacional. Muitos jovens atletas acabam por se perder para a modalidade, por não conseguirem um patrocinador ou clube que lhe permita dedicar-se em regime semi-profissional ou profissional (aspeto que considero fundamental a partir dos 20 anos). Embora estando perto de dar um salto qualitativo que os veteranos já não darão, lamentavelmente os responsáveis destas equipas nem sempre têm uma visão de apostar num jovem atleta na etapa crítica, que é o escalão sub23/Esperanças. É nesta etapa que se tomam grandes decisões para a vida – estudar, trabalhar, dedicar-se a tempo inteiro ao atletismo, etc.
A aposta destes grandes clubes nestes jovens atletas pode fazer toda a diferença na sua carreira profissional (e na dos clubes também). É certo que poderão demorar mais um ou dois anos a integrar o lote de atletas que contam para a classificação coletiva, mas também poderão de um momento para outro dar um salto qualitativo que os veteranos já não darão certamente.
Quando vejo que alguns dos atletas que treino (mais alguns rivais de outros clubes), estão ali à beirinha dos 20 primeiros e cada vez mais perto da cabeça da corrida, questiono-me se vale mesmo a pena a qualquer jovem integrar as fileiras de qualquer destes clubes, ou se não será melhor conseguir um bom patrocínio que permita preparar a sua carreira e evolução de forma sustentada. Lamentavelmente, quer para um quer para outro não temos tarefa facilitada. Assim sendo, nos pequenos clubes continuamos a viver fundamentalmente da aposta dos atletas e treinadores, tendo como principal fonte de financiamento os recursos familiares.
Pelo menos o entusiasmo mantém-se em altas!

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por ppmiguel às 15:19



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